Transição Digital em Educação - Opinião Elsa Fernandes

Transição Digital em Educação - Opinião Elsa Fernandes

Muito se tem falado em transição digital nos últimos anos. Mas afinal o que é a transição digital? Muito associado à ideia de transição digital está a ideia de desmaterialização de processos. Dito de uma forma simples será passar do papel ao digital. Mas de facto o que parece simples envolve uma grande transformação de práticas e de pessoas.

Mas se pensarmos em educação, o que significa a transição digital?

A transição digital é a introdução de tecnologias no processo pedagógico.  A introdução de tablets, robôs, impressoras 3D, Realidade Aumentada, Realidade Virtual, entre outras, e que deverão ser usados em sala de aula de forma tão natural quanto o livro, caderno e caneta são usados hoje. Esta mudança deve trazer consigo transformação do espaço de aprendizagem, bem como transformação das pessoas envolvidas no processo.

A transição digital, ou como gosto mais de chamar, a transformação digital deve agregar valor ao processo pedagógico e consequentemente aos diferentes atores envolvidos no mesmo, caso contrário não será transformação. Será um ambiente enriquecido pelas tecnologias, mas não transformação digital.

Os jovens de Hoje são nativos digitais. Para eles é natural utilizar tecnologias.  Se não as conhecem, aprendem a conhecê-las com facilidade. Portanto, o que eles precisam aprender é sobre o que as tecnologias agregam ao processo e não como lidar com as tecnologias. Aprender o potenciar o processo de aprendizagem com as tecnologias. Aqui a escola – em muitos casos o único sítio onde não as podem usar - desempenha um papel importante. Se a escola naturalizar as tecnologias no processo educacional, com metodologias adequadas, estará ajudando os alunos a construir o seu futuro como cidadãos ativos num mundo que é e será cada vez mais tecnológico.

As aprendizagens essenciais, nas diferentes áreas disciplinares, apelam à utilização de ferramentas tecnológicas que segundo os autores das mesmas, na área da Matemática, defendem que “devem ser consideradas como recursos incontornáveis e potentes para o ensino e a aprendizagem da Matemática” (AE, 2018, p.18).

As tecnologias são de facto poderosas ferramentas mediadoras do processo de ensino/aprendizagem, mas são isso mesmo, recursos estruturantes da aprendizagem. Podemos ter aulas ditas tradicionais num laboratório altamente equipado com tecnologias ou mesmo quando os alunos estão todos munidos de tablets.

O que faz a diferença é a forma como a tecnologia é usada. O que propomos aos alunos quando temos tecnologias a mediar o processo de aprendizagem.

A transformação digital implica também a transformação de mentalidades sobre a escola, sobre qual o seu propósito e sobre qual o nosso papel enquanto profissionais que ajudam os alunos a construir o seu futuro.



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