DESCONFINAMENTO - REGRESSAR A (ALGUMAS) ROTINAS HABITUAIS

A Ordem dos Psicólogos partilhou recomendações para pais e professores para um regresso tranquilo às rotinas depois do isolamento. É essencial perceber receios e dúvidas, é importante reforçar alianças.

A Ordem dos Psicólogos (OP) lançou o documento Covid-19. Desconfinamento – Regressar a (algumas) rotinas habituais com recomendações para pais e professores. Mudar comportamentos, alterar hábitos para proteção de todos, respeitar regras de distanciamento social, etiqueta respiratória, higienização das mãos e espaços. Usar máscara. São muitas mudanças em pouco tempo.

Nas últimas semanas o mundo e as nossas vidas mudaram de formas que nunca julgámos possíveis. E, na verdade, dificilmente a pandemia que vivemos não deixará marcas na nossa sociedade e no nosso modo de viver. A COVID-19 representa não só uma crise de saúde, com todas as consequências negativas que lhe estão associadas, mas também uma crise socioeconómica, que traz e trará grandes dificuldades (pessoais, sociais e económicas) a muitos cidadãos portugueses e às suas famílias. Após várias semanas de confinamento, regressaremos, de forma faseada e progressiva, a algumas das nossas rotinas habituais. O plano de desconfinamento foi apresentado e discutido como procurando equilibrar o nível de exposição e fr transmissão do vírus com o levantamento de restrições que podem trazer benefícios sociais e económicos.

É natural que predominem ainda sentimentos de incerteza e medo relativos à exposição ao vírus. Contudo, gradualmente, de acordo com o plano apresentado será possível recuperar algumas actividades quotidianas, em segurança, se cumpridas com rigor as recomendações da Direcção- -Geral da Saúde e demais entidades com responsabilidade. Durante os próximos meses, podemos ganhar um novo sentido de “normalidade”, mas para isso será necessário mudar o nosso comportamento e manter alguns hábitos que adquirimos recentemente. Continua e continuará a ser fundamental para nos protegermos e protegermos os outros adoptarmos as recomendações das autoridades relativas ao distanciamento social, etiqueta respiratória e higienização das mãos e espaços. Tal como será necessário adoptar e cumprir conscienciosamente novos hábitos, tais como usar máscaras em espaços públicos fechados e/ou aquando da presença significativa de pessoas. Não podemos, portanto, “baixar a guarda”. Apesar do nosso desejo de retomar os contactos e actividades sociais e recuperar o sentimento de segurança, as medidas de desconfinamento não são sinónimo de fim da pandemia. Enquanto houver risco de infecção pelo novo coronavírus, continuaremos a ter de manter cuidados especiais, por nós e por todos os cidadãos mais vulneráveis. Nesse sentido, e sempre que possível, devemos permanecer parte do nosso tempo em casa, realizar e promover o teletrabalho e evitar encontros e contacto físico com familiares e amigos que possam aumentar o risco de exposição ao vírus. O comportamento do vírus depende, em grande parte, do comportamento de cada um de nós. Continuamos a precisar de ser perseverantes, pacientes e resilientes. Dada a complexidade e a incerteza associadas à pandemia, será necessário adaptarmo-nos constantemente. Não há uma “solução rápida” ou “fácil” para esta crise, portanto, nos próximos tempos teremos de estar preparados para a eventual introdução / retirada de restrições, para a alteração de medidas e comportamentos recomendados. No sentido de facilitar a adaptação a esta nova fase e promover o bem- -estar e a saúde psicológica, sugerimos um conjunto de recomendações para todos os cidadãos, nomeadamente, pais e professores.

Recomendações para os Pais e Professores

Quer as crianças e jovens, quer os pais e professores, podem recear o aumento da exposição ao risco que decorre da potencial necessidade de andar de transportes públicos, de estar em espaços fechados com proximidade de outras crianças e jovens, da dificuldade em controlar e garantir que todas as crianças e jovens adoptam os comportamentos de protecção necessários para os manter em segurança. Quer as crianças e jovens, quer os pais e professores, podem, simultaneamente, desejar passar mais tempo fora de casa e numa rotina mais próxima à habitual, mas também quererem continuar a sentir-se protegidos e seguros dentro de casa, passando mais tempo de qualidade com a família. Será ainda necessário criar, novamente, rotinas diferentes, que integrem os horários definidos pela escola. O Plano de Desconfinamento prevê que seja possível o regresso das crianças mais pequenas (creche e pré-escolar) ao contexto escolar, antes do final do ano lectivo. Da mesma forma, os alunos de 11º e 12º anos também deverão retomar as aulas presenciais. Este regresso, faseado, provavelmente, muito esperado e desejado, reveste-se também de medos, ansiedade e incertezas, gerando sentimentos ambíguos.

É importante que os Pais...

Reconheçam e identifiquem receios e sentimentos de ansiedade em si próprios e nas crianças e jovens de quem cuidam, promovendo formas saudáveis de lidar com eles, sem cair em exageros. Estejam preparados para lidar com alguma “ansiedade de separação”. Em particular para as crianças mais novas e após um período prolongado de contacto exclusivo com os pais e cuidadores principais, pode ser especialmente stressante a vivência da separação dos pais/cuidadores no regresso à escola. Esta é uma situação natural e que não deve gerar preocupação excessiva. Os pais/cuidadores devem reconhecer e validar a ansiedade que a criança sente face à situação; procurar ir fazendo “treinos” de separação física ainda durante o período de confinamento (por exemplo, explicar à criança que irão estar noutro espaço da casa, apenas durante X tempo e que regressarão entretanto); antecipar juntamente com a criança como será regressar à escola (por exemplo, usem a imaginação e criem cenários em conjunto – como vai ser, o que a criança vai querer fazer, o que a vai deixar contente, o que a vai deixar triste, etc.); reforce que a separação será apenas temporária e que a X horas, estará de regresso para a ir buscar. Durante o período de adaptação, os pais/ cuidadores devem procurar manter rotinas que gerem segurança e tranquilidade à criança, sobretudo à hora de adormecer. Ajudem as crianças e jovens a antecipar os aspectos positivos do regresso à escola: voltar a sair à rua; reencontrar amigos, colegas, professores e outras pessoas de referência ou a melhoria das condições de ensino-aprendizagem. Façam e ajudem a fazer o “luto” pelos aspectos positivos que a situação de isolamento proporcionou. É natural que este regresso impulsione a tomada de consciência das coisas boas que aconteceram durante o isolamento e que agora se podem “perder”: a oportunidade de partilhar todas as refeições; o tempo para brincar, conviver e fazer actividades em conjunto; a gestão de horários de sono de acordo com as necessidades da família (e com menos condicionamento externo) ou as ocasiões de videochamada com família e amigos, por exemplo. Sintam e transmitam confiança na escola. É preciso confiar que todas as medidas e acções possíveis estão a ser tomadas para tornar as escolas espaços seguros para o regresso das crianças e jovens. Se os pais transmitirem esta segurança, será mais fácil para as crianças e jovens enfrentarem os receios que possam sentir.

É importante que os Professores... Reconheçam que é natural que as crianças e jovens regressem com saudades, sedentos de comunicar e interagir com os pares e os professores, que queiram “recuperar o tempo perdido”. E, portanto, será necessário ajudar a reconhecer que todos precisam de tempo para processar o período de isolamento e o de regresso à escola. Estas emoções precisarão de tempo e espaço para serem partilhadas. Reforcem os canais de comunicação aberta e segura, que permitam aos alunos partilhar as suas preocupações e dúvidas. Mostre-se e esteja disponível para funcionar como ponte de comunicação com o Psicólogo da escola, o Director de Turma ou os Encarregados de Educação. Esteja atento aos sinais de alerta relativos à Saúde Psicológica e considere a possibilidade dos alunos terem vivenciados perdas de entes queridos durante o período de isolamento. No sentido de promover o bem-estar e a Saúde Psicológica, consulte o site www.escolasaudavelmente.pt. Envolvam os alunos no planeamento das próximas semanas de escola, de forma a que se impliquem e se responsabilizem pelas aprendizagens e actividades a realizar. Negoceie tempos de interacção livre e tempos de concentração e cooperação na aprendizagem. Mantenham as alianças criadas com os Encarregados de Educação, promovendo a continuidade da participação activa das famílias nas aprendizagens das crianças e jovens. Reconheçam que a produtividade e o envolvimento dos alunos possam não ser, inicialmente, os mesmos que tinham anteriormente. É possível que sinta que tem de conhecer novamente os seus alunos, para poder adaptar a forma como ensina ao seu ritmo de aprendiza

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