Medos e preocupações dos professores


Medos e preocupações dos professores

Estudo da Federação Nacional dos Professores revela que 23,1% dos educadores e docentes têm receio de ficar infetados e apenas 9,5% se sentem seguros na escola. Na pandemia, o trabalho de quem ensina é ainda mais exigente.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) quis perceber como estão e o que sentem educadores e professores quando estão nas escolas e avançou com um estudo que reuniu 5218 respostas, recolhidas através de uma plataforma eletrónica, entre 13 e 25 de novembro. O contexto pandémico e as atuais circunstâncias de um ano particular marcam sentimentos e formas de atuar e de estar nos estabelecimentos de ensino e nas atividades letivas. Aulas com máscaras e regras sanitárias condicionam o processo de ensino e aprendizagem.

Ao todo, 67,4% dos inquiridos estão preocupados com a atual situação, 23,1% confessam que têm medo de ficar infetados, apenas 9,5% afirmam que se sentem em segurança nas escolas. Há apreensão e medo por parte de quem ensina, o que se reflete no estudo realizado junto de educadores e professores do continente e que respeitou a proporção real quanto aos níveis e graus de ensino. A FENPROF associa as preocupações à “insuficiência das medidas de prevenção e de segurança sanitária”.

A Federação revela que “90,5% dos docentes afirmam ter preocupação ou mesmo medo quando estão nas escolas”. Por isso, refere, “compete, pois, ao Ministério da Educação (ME) reforçar as condições de segurança sanitária, superando as atuais insuficiências, e aprovar medidas adequadas de prevenção, entre as quais estão os rastreios às comunidades escolares”. “Compete ao ME garantir transparência sobre a situação epidemiológica nas escolas, sendo inaceitável que a mesma continue a ser encoberta”, acrescenta no seu site.

Regra geral, as turmas não foram reduzidas, há turmas com 28 alunos, o número não diminuiu, apesar da regra de distanciamento social. No estudo, 83,7% dos professores confirmam que o número de alunos por turma se manteve, 10,2% afirmam que aumentou, e 6,1% admitem ter sido reduzido.

No início do 1.º período, a tutela distribuiu máscaras pelas escolas. Foram suficientes? A maioria, 96,3% dos educadores e professores, garantem que essa distribuição foi feita. No entanto, quase metade dos inquiridos, 46,3%, refere que as máscaras foram em número insuficiente ou de má qualidade, por exemplo, têm elásticos que se partem com facilidade.

Máscaras, distanciamento, limpeza
“No contexto de pandemia, a atividade dos docentes tornou-se muito mais exigente”, sustenta a FENPROF. As aulas são dadas de máscara, sem aproximação aos alunos, há menos encontros com os colegas. Ao todo, 83,4% dos inquiridos consideram que a atividade docente, nestas condições, é muito mais exigente, 16,1% afirmam ser semelhante, 0,5% dão nota de menor exigência.

Quanto à limpeza dos espaços escolares feita por assistentes operacionais, 59,9% garantem que essa limpeza só acontece ao final do dia, tal como antes da pandemia. Por outro lado, 30,4% adiantam que são os alunos e os docentes que limpam entre cada utilização, e 40,1% dão conta que essa limpeza é feita pelo pessoal auxiliar entre cada utilização dos espaços da escola.

O número de assistentes operacionais manteve-se ou diminuiu em relação ao ano letivo anterior? Nas respostas, 64,3% respondem que esse número se manteve, 18,5% asseguram ser inferior este ano, 17,5% afirmam ter havido um aumento. A FENPROF sublinha que “este é um problema gravíssimo vivido pelas escolas”, lembrando que “já antes da pandemia o número de assistentes operacionais era escasso face às necessidades”.

A FENPROF estranha haver surtos em menos de 94 escolas, quando garante que há quase mil estabelecimentos de ensino com casos de COVID-19. “O problema é que continuam a não ser realizados testes à população escolar, apesar de, nos últimos seis meses, o número de crianças e jovens infetados (zero a dezanove anos) ter aumentado vinte vezes, enquanto na população em geral esse aumento foi da ordem dos 9%”, refere.

 


Fonte do artigo