EBS Dr. Machado de Matos. “O segredo para os bons resultados vem da proximidade”


EBS Dr. Machado de Matos. “O segredo para os bons resultados vem da proximidade”

No concelho de Felgueiras, a mais nova escola secundária soma lugares cimeiros no ranking. O diretor, António Bragança da Cunha, orgulha-se dos resultados, sobretudo pelo que representam para os alunos.

A Escola Básica e Secundária (EBS) Dr. Machado de Matos estava predestinada a fazer história desde que nasceu, há pouco mais de uma década. Em metade da sua existência tem obtido bons resultados sempre que se trata de qualquer ranking. Mas desta vez a notícia de que ficara em 52.ª posição geral (no total de 567 escolas) foi recebida “com particular euforia”, admite António Bragança da Cunha, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Machado de Matos, que inclui a escola básica e secundária com o mesmo nome. 

“Como isto vem acontecendo sempre nos últimos anos, eu penso sempre que é o último. Porque é difícil estabilizar as médias dos alunos e conseguir ótimos resultados. Nós esforçamo-nos para que eles tenham o maior sucesso possível, mas não é fácil. Por isso cada ano que passa ficamos mais satisfeitos e orgulhosos”, afirma o diretor ao EDUCARE.PT. Mas o que levou a direção, afinal, a ficar tão surpresa? Não foi a pandemia - que afinal é uma variável que se faz sentir em todas as escolas. Foi mesmo a expetativa de média, que apontava para 13,05 e que afinal acabou por ser 14,85. 

A EBS Dr. Machado de Matos completou uma década no ano letivo de 2013/14, numa altura em que, em 621 escolas, ficou posicionada no lugar 557. Foi uma grande mudança, em meia dúzia de anos. “E hoje, considerando escolas públicas e privadas, estamos no lugar 52”, afirma, orgulhoso, o professor António Bragança, lembrando que “as primeiras 47 são privadas” e que “é muito mais fácil trabalhar numa escola privada do que numa escola pública”, desde logo pelo tecido social que abrangem.

Na EBS Dr. Machado de Matos estudam alunos oriundos de um misto de meio rural com suburbano. Há dois anos, quando foi criado o ranking dos percursos diretos, chegou a primeira surpresa: “no universo das escolas públicas ficámos em primeiro lugar. No geral ficámos em segundo, pois o primeiro foi ocupado por um colégio de Fátima”, revela António Bragança. Nesse ranking entram “outras variáveis como, por exemplo, as habilitações dos encarregados de educação e a percentagem de alunos com ação social escolar”. A percentagem, na escola de Felgueiras, anda muito próxima dos 50%. 

Para lá do ranking que se foca nos exames do secundário, e pese embora o do percurso direto não ter tido continuidade, há outros, como o da superação, que colocou a escola em primeiro lugar a nível nacional. 

O diretor da escola revela ao EDUCARE.PT que, por ali, a análise dos resultados faz-se exclusivamente com base na leitura do jornal Público, RTP e Universidade Católica. “Desde a primeira hora que o fazemos, para termos sempre a mesma bitola”. Entretanto, também num ranking que avalia a equidade a escola ficou em 5.º lugar, sendo o primeiro ocupado por uma outra escola do mesmo concelho, a Secundária de Airães. O diretor acredita que esse ranking “é o mais próximo do que avaliava o percurso direto”. 

António Bragança da Cunha é diretor do agrupamento desde a fundação, em 2009. Já estava em funções quando aconteceu o processo de agregação, e por isso tem sido parte ativa de todo o percurso das centenas de alunos do Secundário que vão passando pela escola de Felgueiras. 

Sem explicações, com acompanhamento permanente.

Este agrupamento integra 11 estabelecimentos de ensino, 9 dos quais com as valências de educação pré-escolar e primeiro ciclo. A antiga escola sede (Escola Básica de Lagares) ministra o segundo e terceiro ciclos, ao passo que a EBS Dr. Machado de Matos alberga desde o 5.º ao 12.º ano. No total, falamos de 1521 alunos, ao passo que na escola sede estudam 544. O quadro docente integra cerca de 160 professores, auxiliados por 85 outros trabalhadores, entre assistentes operacionais e assistentes técnicos. 

Paradoxalmente, o diretor sublinha que não atribui grande importância aos rankings: “o importante é o trabalho que se realiza com os alunos”. E que trabalho é esse, afinal? “é de grande proximidade e de acompanhamento permanente”, enfatiza António Bragança. Embora existam vários fatores que contribuem para estes [bons] resultados, aquele responsável sublinha a estabilização do corpo docente. “Especialmente ao nível do Ensino Secundário, nós conseguimos isso. Por outro lado, julgo, contribui muito também o tipo de relação que conseguimos estabelecer com os alunos”. É verdade que a escola “não é de grandes dimensões”, e isso pode facilitar todo o percurso escolar, para professores e alunos. 

“Os nossos alunos praticamente não têm explicações (privadas). Não só porque não têm condições económicas para isso, mas também porque quem trata de lhas dar são os seus professores, em horário escolar. Temos um tempo semanal, para os 11.º e 12.º anos, que é a preparação para os exames nacionais. Ou seja, é evidente que depois isso vai notar-se em termos de resultados”. 


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