Escola Secundária de Paredes: nesta escola há um provedor do aluno


Escola Secundária de Paredes: nesta escola há um provedor do aluno

Está entre as cinco primeiras escolas públicas no ranking. A Escola Secundária de Paredes, no Porto, é (orgulhosamente) uma escola não agrupada, que cultiva um relacionamento próximo entre todos.

A Escola Secundária de Paredes (Porto) ocupa este ano a posição 51 no ranking, sendo uma das cinco escolas públicas com melhor desempenho. A média nos exames foi de 14,87, num universo de 599 provas.

A notícia foi recebida com satisfação, mas sem euforia, tal como disse ao EDUCARE.PT o professor Mário Cruz, provedor do aluno na Secundária de Paredes. “Temos consciência de que esta divulgação nos traz mais responsabilidade, porque aumentou a nossa visibilidade”, afirma, embora relativizando. Ainda assim, acredita que é uma forma “de fazer algumas pessoas acreditarem mais no Vale do Sousa. É uma forma de mostrar que aqui não se fazem só móveis, também se produzem bons resultados escolares”.

Mário Cruz é provedor do aluno há três anos, correspondendo a um desafio que lhe foi feito pela direção. O cargo não é comum, mas naquela escola de Paredes há um esforço contínuo para delegar funções e partilhar tarefas, para lá das responsabilidades diretivas. “É um trabalho colaborativo muito grande, entre todos”, refere o professor de filosofia, que quando chegar a agosto completará 66 anos – e com anos de serviço que já lhe permitiam a aposentação. Porém, a missão educativa tem falado mais alto.

A Escola Secundária de Paredes nasceu em 1972 como secção do Liceu Nacional Garcia da Orta. E assim se manteve até 1974, ano em que foi nomeada uma comissão de gestão, dando-lhe autonomia. Na verdade, essa seria uma marca para o futuro, já que ainda hoje é uma escola não-agrupada. “Gostamos muito da nossa individualidade”, ironiza o professor.

Entretanto, no final da primeira década de 2000, seria uma das contempladas com a intervenção ao abrigo da Parque Escolar, que a requalificou.

Mais de 1700 alunos frequentam a Escola Secundária de Paredes, orientados por 149 professores. Mário Cruz enjeita responsabilidades acrescidas nas conquistas dos alunos, nomeadamente na posição conseguida no ranking. “Nenhum de nós fez nada de especial, todos trabalhámos bastante”, afirma o provedor do aluno, que demonstra um orgulho natural em ver “todos os professores dedicados aos alunos e à escola”.

Não será alheia a este feito a estabilidade do corpo docente. Mário Cruz sublinha sempre que ali “não se trabalha para o ranking”, mas antes “a posição alcançada é uma consequência natural do trabalho colaborativo que fazemos constantemente”. No caso dos professores que têm disciplinas de exame, o provedor acredita que os alunos pressionem um pouco para terem boas notas o que faz com que acabem por dar mais aulas e se façam tutorias, recordando que a própria escola as organizava no tempo pré-pandemia, especialmente na disciplina de matemática. “E isso deu muito bom resultado”, refere o provedor do aluno. Porque os alunos “mais depressa colocavam as questões aos seus tutores – colegas mais velhos – do que por vezes aos professores”.

O docente acredita que a base do sucesso da Secundária de Paredes reside precisamente na colaboração, na proximidade entre todos, envolvendo alunos, professores, assistentes e direção. “Toda a gente nos atende nos corredores ou em qualquer sítio”.

A figura do provedor do aluno já é encarada com normalidade por ali. Mário Cruz “mora” naquela escola há mais de 30 anos e sabe de cor cada especificidade. Ao EDUCARE.PT diz que “o provedor o que tenta é resolver as questões à nascença, e estar lá para os alunos, sempre que é procurado”. Isso acontece sobretudo quando chegam alunos novos e por vezes podem sentir-se inadaptados, mas também quando surge um problema, ou quando nasce uma ideia. “É claro que estes dois anos foram muito atípicos”, confessa o professor, que durante o período de ensino à distância recebeu apenas uma ou outra sugestão na caixa de correio. Não era assim. A pandemia afetou também esse trabalho de proximidade, muito menos profícuo. Ainda assim, mal regressaram as aulas presenciais, voltou a estar “sempre presente”, como sublinha, numa escola onde todos o conhecem.

Uma vinha para cuidar
A Escola Secundária de Paredes “tem um ambiente físico muito interessante”, considera Mário Cruz, quando alude à requalificação que ocorreu ao tempo de Maria de Lurdes Rodrigues enquanto ministra da Educação. “É uma escola que está muito bem cuidada, com espaços amplos e jardins, uma vinha e uma minifloresta”, revela o professor, orgulhoso do ambiente que se criou dentro e fora do edifício.

“Nós gostamos todos muito do que fazemos. A maior parte de nós está nesta escola porque gosta dela, e tem um compromisso com os alunos”, conclui o provedor.




 


Fonte do artigo