A educação serve a comunidade, desafia-a a superar obstáculos.

Organizei algumas ideias para a reestruturação da Educação Portuguesa.
O nível de abandono escolar em Portugal é o terceiro mais alto de toda a OCDE, isto acontece por várias razões, as famílias portuguesas não dão valor à educação formal, o Estado não apoia convenientemente as famílias, os jovens também não perspectivam ganhos em continuar na escola, muitas vezes porque têm fraco aproveitamento escolar.
Com a actual educação obrigatória, a vasta maioria dos alunos recebe uma educação com o mesmo percurso escolar, esta é uma diferença fundamental relativamente a outros países europeus. Por exemplo na Alemanha e Suíça, a partir do 7.º e em alguns casos do 6.º ano, os alunos podem ser encaminhados para uma formação mais profissionalizante. No final do 10 º ano, os alunos obtêm um certificado e com esse certificado, eles têm acesso a várias opções de formação: estágios em empresas para adquirir formação profissional, ou trabalho no serviço público ao nível de secretariado e do executivo.
Devemos ou não adoptar a mesma organização curricular dos países que têm melhores taxas de abandono escolar?
Na minha opinião é possível mudar o nosso sistema educativo sem causar graves problemas aos profissionais que já obtiveram a habilitação para a docência. Em primeiro lugar os docentes portugueses devem voltar às Universidades. Qualquer mudança desta envergadura tem de começar por reabilitar os docentes actuais. Como já propus se os professores portugueses regressassem às Universidades, podiam igualmente obter o grau de mestre e serem avaliados para efeitos da ADD. Precisamos de professores mais competentes, não estou a dizer que não os temos, estou a afirmar que as competências têm de ser actualizadas e orientadas para uma nova organização curricular.
Estimo, por experiência na leccionação no sistema suíço, que cerca de metade dos alunos iriam ser encaminhados para um curso profissionalizante, percebem então que a requalificação dos professores seria essencial para cobrir a nova oferta de cursos.
No sistema de ECTS é fácil implementar novos cursos de requalificação de professores, em 4 anos, seria possível aumentar as competências dos nossos docentes. Quanto aos professores ainda em formação nas Universidades e ESEs também precisariam de alguns ajustes ao currículo, nomeadamente a partir de disciplinas de opção no mestrado.
Esta forma de organização curricular impede os alunos de adquirirem uma formação de grau superior?
Não impede porque através de exames é possível ingressar no 11º ano e continuar a estudar para a obtenção de diplomas universitários.