Desde 1970 que não chove no Deserto

Desde 1970 que não chove no Deserto

Portugal Quebrado - Litoral e Interior

Quem procura dar um passeio pela Natureza do interior do País, nota bem a ausência de pessoas, aldeias mais silenciosas, às vezes abandonadas. Há quem diga que Portugal tem vários países dentro dele, atrevo-me a dizer, encontrar uma criança numa aldeia começa a ser tão difícil como encontrar uma agulha num palheiro, ou um oásis no deserto.

Número médio de indivíduos por Km²

 

1960 96,5

1970  94,1

1981 106,8

1991 107,2

2001  112,5

A partir da análise deste gráfico da PORDATA percebemos que o número médio de indivíduos por quilómetro quadrado começou em aceleração a partir de 1970. Foi na década de 70 que muitos Portugueses se decidiram pela Diáspora. Este fenómeno foi antevisto mas a governação ou não tem o controlo da situação ou é incapaz e ignora a desertificação de Portugal. Será preciso rezar aqui ao Deus da Chuva para que volte a regar as terras do interior e lá voltem as gentes a brotar do chão? Se for preciso eu rezo, mas parece-me mais evidente que, manter as escolas pequenas abertas, incentivar a economia local, era uma forma mais terrena de abordar uma solução, e o Deus da Chuva tem tantas prezes para atender...

Ontem um emigrante do Peso da Régua contou na televisão a propósito do encerramento da Escola Primária da sua aldeia: "Eu e a minha família queremos ficar cá definitivamente, mas este encerramento apanhou-nos de surpresa, não vou permitir que o meu filho corra riscos nestas estradas curvas da Régua para ir para à Escola, prefiro continuar lá fora!"