"Meia Aventura na Educação"

Este seria o título do meio livro escrito por metade das autoras. Se não tivesse trabalhado com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada não seria ministra, nem sequer teria a popularidade de escritora. É tão esquisito que seja alguém muito familiarizado com o trabalho de pares, a pretender em 2011, terminar com a única situação de pares pedagógicos. Foi proposto que Educação Visual e Tecnológica (EVT) seja leccionada por um professor, complicando a situação de 10 mil professores, muitos deles deixarão de ter lugar na docência.
Mas as mudanças não se quedam por aqui. O plano geral de diminuição de professores está delineado a médio prazo. Refiro-me, se ainda não adivinhou, à criação da figura do super-professor, o professor generalista, único desde o 1.º ano até ao 6.º ano. Este modelo de professor equivale a Aristóteles, Sócrates e Arquimedes, tem um conhecimento profundo do mundo, consegue ensinar o teorema de Pitágoras, logo após explica um texto narrativo, e finaliza com a interpretação de uma crónica de Fernão Lopes.
Não digo que este professor generalista seja uma utopia, acho mesmo que é concretizável, mas necessita de uma formação superior exigente, só que o actual modelo de formação de professores é facilitista no recrutamento e na formação, tanto nos estabelecimentos públicos como nos privados. Eu já ouvi bastantes histórias e sei de situações de pouca exigência tanto nas ESES como nos PIAGET de norte a sul do país.
Termino este artigo perspectivando, a curto prazo, o desemprego para 10.000 professores de EVT, a médio prazo, o desemprego para 50.000 professores de Português, Matemática, História e Geografia, Ciências. Todos correm o risco de serem supra-numerários, por isso aconselho-vos a regressarem às universidades e certifiquem-se como professores do 1.º e 2.º ciclos. Com a crise e a autoridade de Bruxelas, nos próximos anos qualquer Governo dispensará cerca de 60.000 docentes.