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Gramática - Expressões de realce

Escrito por David Azevedo ligado . Publicado em gramática

Gramática - Expressões de realce

Vejamos os seguintes exemplos:

Desde ontem que te esperava.

O Manuel é que sabe onde está o primo.

Foi ali que se travou a batalha de Asseiceira.

Era ele que queria ir à discoteca.

Quanto não vale o amor dos pais!

Eu não vou à festa.

Ele sabe porque diz isso.

Pobre do moço!

Se tirarmos a cada uma das orações as palavras escritas em tipo mais negro (que, é que, foi que, era que, não, , e do), o sentido não se altera. Essas palavras servem, porém, para dar mais realce às frases. Chamam-se, por isso, partículas de realce, e também expletivos ou palavras expletivas (desnecessárias), e servem, portanto, para dar força e graça à frase.

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Gramática - Colocação dos elementos da proposição

Escrito por David Azevedo ligado . Publicado em gramática

Gramática - Colocação dos elementos da proposição

Ordem directa

Como já sabemos, cada proposição é formada por uma ou mais palavras dispostas numa certa ordem. Não é, porém, indiferente a colocação dos elementos da proposição, como vamos ver nos exemplos seguintes:

1.º O meu pai cultivou o jardim. O Dr. Manuel de Arriaga, primeiro presidente da República Portuguesa, foi eleito pelo Congresso. Na primeira oração, colocou-se o sujeito e depois o predicado com o seu complemento. Na segunda oração, colocou-se o sujeito com o seu determinante, um aposto, depois o predicado com os seus determinantes. Nas duas orações, o verbo é a primeira palavra do predicado. Esta ordem de colocação dos elementos da oração é a mais natural e simples, e chama-se ordem directa.

2.º Tenho muito amor a minha mãe. Menino desejoso de brincar. Dei um abraço ao meu primo, ao encontrá-lo no centro comercial. Como se vê dos exemplos anteriores, na ordem directa a palavra determinada coloca-se antes da determinante, o complemento directo coloca-se antes do indirecto, e a seguir os circunstanciais, segundo as relações de dependência.

3.º Os figos saboreiam-se antes das castanhas, pois primeiro frutificam as figueiras e depois os castanheiros. Decerto sabes que a independência de Portugal se restaurou em 1 de Dezembro de 1640. Como se vê dos exemplos anteriores, a conjunção que ligue uma proposição a outra proposição deve ser colocada em primeiro lugar.

 

Ordem inversa

Qualquer colocação diferente da que se estabelece para a ordem directa chama-se ordem inversa. Nesta, pode o sujeito ir depois do verbo, o adjectivo antes ou depois do substantivo, o predicado depois dos complementos:

À entrada na fábrica não são obrigados os operários, antes de no relógio a hora marcada bater, em vez de: Os operários não são obrigados à entrada na fábrica antes de bater no relógio a hora marcada.

São as frutas maduras excelente alimento, em vez de: As frutas maduras são alimento excelente.

Deve dizer-se ou escrever-se com clareza, o que importa mais do que obedecer ou não à ordem directa. O que é preciso é dispor as palavras de modo que todos entendam.

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Gramática - Regras gerais de concordância

Escrito por David Azevedo ligado . Publicado em gramática

Gramática - Regras gerais de concordância

Como se vê dos exemplos seguintes, harmonizam-se umas com as outras palavras flexivas — estão de acordo o género e número entre substantivos e adjectivos, o número e pessoa nos verbos, e, na voz passiva, o número, pessoa e género:

Lindo cravo, lindos cravos.

Erva tenra, ervas tenras.

Eu brinco, tu brincas, o João brinca, nós brincamos, vós brincais, os nossos companheiros brincam.

O Mário é considerado pelo Artur. A Márcia é estimada pela Leonor.

Esta harmonia ou correspondência é o que, em gramática, se chama concordância.

Escrevendo ou falando, temos de observar as regras a que obedece a concordância.

A Priberam disponibiliza, em serviço gratuito on-line, um corrector sintáctico (apenas com sugestões, sem explicação gramatical dos erros) que permite detectar erros de concordância em frases completas.

 

CONCORDÂNCIA DO ADJECTIVO

Como se vê nos exemplos seguintes, o adjectivo concorda em género e número com o substantivo ou pronome a que se refere:

Tenho um lindo vestido.

Tenho duas camisas lindas.

Esta rosa é bela.

Estes cravos são belos.

Ele é teimoso.

Elas são teimosas.

O adjectivo tem sempre a forma masculina do singular quando se refere a um verbo ou ao sentido de uma oração, como se vê nos exemplos seguintes:

O Alberto é um homem delicado.

A Maria é uma linda rapariga.

É bom que te apresses.

É perigoso atravessar as ruas e as estradas sem prestar atenção ao trânsito.

 

CONCORDÂNCIA DO VERBO COM O SUJEITO

Como se vê dos exemplos seguintes, quando o sujeito é simples, o verbo emprega-se no número e pessoa correspondentes ao sujeito; ou, como é de uso dizer-se, o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa:

Eu gosto de uvas e tu gostas de peras.

Nós gostamos de melão e vós gostais de melancia.

Ele gosta de maçãs e eles gostam de laranjas.

Quando o sujeito é múltiplo, a concordância varia:

a) Eu e tu somos cuidadosos. Eu e o Magalhães trabalhamos. Nestes dois exemplos, um dos sujeitos simples é da 1.ª pessoa. Quando assim acontece, o verbo emprega-se na 1.ª pessoa do plural.

b) Tu e teus companheiros brincais muito, ou brincam muito. Neste exemplo, um dos sujeitos é da 2.ª pessoa e não há nenhum da 1.ª Quando assim acontece, o verbo emprega-se na 2.ª pessoa do plural, mas pode também empregar-se na 3.ª

c) Os minhotos alimentavam-se de modo diverso dos algarvios e dos alentejanos, porque os primeiros colhiam da terra produtos diferentes, e porque os segundos tiravam também da terra vegetais e, do mar, peixes e mariscos que no Minho não existiam ou eram pouco comuns. Neste exemplo, todos os sujeitos são da 3.ª pessoa do plural. Quando assim acontece, o verbo emprega-se no plural.

d) 1.º A amendoeira, a figueira, a alfarrobeira e a nespereira vivem no Algarve em grande quantidade. 2.º Dá-se (ou dão-se) no Algarve a laranjeira e a nespereira. No 1.º dos exemplos anteriores, os sujeitos são todos do singular e o verbo está depois deles. Quando assim acontece, o verbo emprega-se no plural. No 2.º exemplo, o verbo está antes do sujeito. Quando assim acontece, o verbo emprega-se indiferentemente no singular ou no plural. Foram (e nunca foi) Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral dois grandes navegadores portugueses. (Em casos como este, em que o verbo tem um predicativo no plural, só pode empregar-se o verbo no plural.)

e) 1.º O mar e os rios agradam à vista. 2.º Agradam à vista os rios e o mar. 3.º Agrada (ou agradam) à vista o mar e os rios. No primeiro dos exemplos anteriores, um dos sujeitos é do singular e o outro é do plural (mar, rios), e estão ambos antes do verbo. Quando assim acontece, isto é, quando os sujeitos são de números diferentes e estão antes do verbo, do predicado, este emprega-se no plural. No 2.º dos exemplos anteriores, o primeiro dos sujeitos é do plural e o segundo do singular. Quando assim acontece, o verbo emprega-se também no plural. No 3.º dos exemplos, o verbo está antes dos sujeitos, mas o primeiro destes é singular. Nesse caso, o verbo pode empregar-se indiferentemente no singular ou no plural.

 

CONCORDÂNCIA DO ADJECTIVO PREDICATIVO, E DO ADJECTIVO VERBAL DAS FORMAS DA VOZ PASSIVA, COM O SUJEITO

Como se vê dos exemplos seguintes, quando o sujeito é simples, o adjectivo predicativo emprega-se no género e número do sujeito:

O gafanhoto é nocivo para as culturas.

A abelha é trabalhadeira.

Os diamantes são raros.

As amoras são pretas.

O mel é fabricado pela abelha.

A manteiga é utilizada pelo homem na sua alimentação.

Os insectos das hortas são devorados pelos sapos.

As hortas são destruídas pelo caracol.

Quando o sujeito é múltiplo, mas constituído por sujeitos simples do mesmo género, o adjectivo predicativo adapta-se a esse género:

A luz e a água são necessárias à vida.

O sol e o ar são necessários à vida.

Quando o sujeito é múltiplo e se emprega no singular, o adjectivo predicativo emprega-se no género do sujeito mais próximo:

É necessário o vigor e a alegria.

É necessária a alegria e o vigor.

Quando os sujeitos não são do mesmo género e se emprega o plural, o adjectivo predicativo toma geralmente o género masculino:

A alegria e os sorrisos são considerados como sinal de saúde.

Quando o sujeito da oração é uma expressão de tratamento, o adjectivo predicativo concorda com o nome que convém às pessoas a quem nos dirigimos:

Vossa Excelência é muito estimado (ou muito estimada, se for mulher).

Vossas Excelências são muito bondosos (ou bondosas).

Quando o pronome vós se emprega como forma de tratamento (o que é vulgar no Norte de Portugal), a indicar uma só pessoa, o adjectivo predicativo fica no singular e toma a forma correspondente à pessoa a quem nos dirigimos:

Vós estais bom (ou boa, se for mulher).

Vós sois considerado (ou considerada).

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Gramática - Classificação das orações

Escrito por David Azevedo ligado . Publicado em gramática

Gramática - Classificação das orações

Vejamos o período seguinte:

Nuno Gonçalves, que foi alcaide do Castelo de Faria, teve de revelar coragem, quando os castelhanos o levaram até junto das muralhas desse castelo, que ele mandou defender pelo filho.

A primeira oração é subordinante: Nuno Gonçalves teve de revelar coragem. As outras são subordinadas: que foi alcaide do Castelo de Faria; quando os castelhanos o levaram até junto desse castelo; que ele mandou defender por seu filho.

Conforme a palavra por que a subordinação é indicada, assim se classificam as orações subordinadas.Vejamos os períodos seguintes:

Depois da saída de um dos directores da empresa, o subdirector foi quem mais se distinguiu.

Dá-me a caneta que te emprestei.

Parece-nos sempre bonita a terra onde nascemos.

Nos exemplos anteriores, a primeira subordinação é indicada pelo pronome relativo quem, a segunda pelo pronome relativo que, e a terceira pelo advérbio relativo onde. As proposições ou orações subordinadas: quem mais se distinguiu..., que te emprestei, e — onde nascemos, chamam-se, por isso, orações ou proposições relativas.

Nos exemplos seguintes, a primeira e a segunda subordinação são indicadas pelo pronome interrogativo quem. A terceira pelo pronome interrogativo qual. A quarta pelo advérbio interrogativo como. As quatro proposições ou orações subordinadas: — quem é aquele menino; quem é este menino; qual é o meu chapéu;como eu pude obter esta planta, chamam-se, por isso, proposições ou orações interrogativas indirectas (as duas primeiras) e directas (as duas últimas):

Diz-me quem é aquele senhor.

Não sei quem é este senhor.

Podes dizer-me qual é o meu chapéu?

Tu sabes como eu consegui montar este móvel?

Nos exemplos seguintes, a primeira subordinação é indicada pela forma do infinito do verbo estar; a segunda por uma forma do infinito pessoal do verbo fazer; a terceira por igual forma do verbo ter. As três proposições ou orações subordinadas: — por estar a mãe doente; para fazerem a comida; por terem feito uma travessura, chamam-se, por isso, orações ou proposições infinitivas:

O Joãozinho não foi à escola, por estar a mãe doente.

Para fazerem a comida, as cozinheiras ligam primeiro o fogão.

O pai castigou os filhos, por se terem portado mal.

Vejamos as seguintes orações:

É preciso que faças o exercício.

O marquês de Pombal, que foi ministro de D. José, expulsou os Jesuítas.

Estimo quem é diligente.

Diz-me se resolveste o problema.

Quero comprar um carro a quem mo vender por pouco dinheiro.

Nestes exemplos, há orações que exercem a função de substantivos, tanto assim que uma faz as vezes de sujeito (que faças o exercício), outra de predicativo e de aposto (que foi ministro de D. José), duas de complemento directo (quem é diligente e se resolveste o problema), e, finalmente, outra, de complemento indirecto (a quem mo vender por pouco dinheiro).

As proposições ou orações que exercem as funções de substantivos chamam-se substantivas. Quando servem de sujeito chamam-se subjectivas:

É necessário que partas.

Quando servem de complemento chamam-se completivas:

O teu irmão diz que não te esqueças de levar o livro.

Nos exemplos seguintes, a segunda oração (que têm perfume) pode ser substituída pelo adjectivo perfumadas, e a quarta (em que nasci) pode ser substituída pelo adjectivo natal. Essas proposições exercem, portanto, as funções de adjectivos, e chamam-se por isso adjectivas:

As flores que têm perfume são mais apreciadas.

Gosto muito da terra em que nasci (ou onde nasci).

Nos exemplos seguintes, as proposições subordinadas — se logo estiveres em casa, porque tenho de acabar..., quando partimos ou ao partirmos, equivalem a complementos circunstanciais. Chamam-se, por isso, proposições adverbiais ou adverbiais ou circunstanciais:

Se logo estiveres em casa, virei beber café contigo.

Não posso sair, porque tenho de acabar um trabalho.

Chovia quando partimos (ou ao partirmos).

Nas frases a seguir indicam-se exemplos de proposições adverbiais ou circunstanciais que se classificam conforme as circunstâncias que exprimem.

a) CONDICIONAIS: — O José não teria conseguido o emprego, se não fosse a sua inteligência e empe. Se amanhã estiver calor, fico a trabalhar em casa;

b) CAUSAIS: — O Nuno conseguiu ter boa nota no exame porque estudou bastante nos dias anteriores. O Pedro comprou novos móveis por querer mudar a decoração da sala;

c) FINAIS: — Revolvo a terra do jardim, para que as plantas se desenvolvam. As crianças devem brincar moderadamente ao ar livre para se desenvolverem;

d) CONCESSIVAS: — Embora o dia esteja lindo, não posso sair hoje. Apesar de ser mais novo, o Quim corre mais que o Nuno. Se bem que goste de beldroegas, aprecio muito mais a alface;

e) CONSECUTIVAS: — Chove tanto, que não me atrevo a sair. A Arminda gosta tanto de flores, que passa o tempo no jardim. O ar da montanha é de tal modo saudável, que todos deviam respirá-lo, pelo menos durante algum tempo;

f) TEMPORAIS: — Quando acabaram as guerras entre os Mouros e os cristãos portugueses, ficaram por em Portugal bastantes mouros. Depois que dei a prenda à Carlota, não a tornei a ver. Esperei pelo João até que adormeci;

g) COMPARATIVAS: — Conforme os alunos se portam, assim o professor os avalia. As plantas, como já lhes disse, prestam-nos muitos serviços: dão-nos alimentos, madeira, sombras, purificam o ar, absorvem a humidade dos pântanos, etc.

Vejamos os períodos seguintes:

O maior dos rios que correm em Portugal Continental é o Tejo; imediatamente abaixo deste, na escala do comprimento, é o Guadiana; logo depois o Douro; e o quarto dos maiores rios é o Minho.

Na escala das altitudes, a primeira das serras de Portugal Continental é a da Estrela, em segundo lugar vem a do Larouco, ocupa o terceiro lugar a do Gerês; abaixo desta ficam, por sua ordem, a do Marão, a de Soajo, a de Montesinho, etc.

Cada uma das orações que constituem estes dois períodos ou orações compostas é coordenada, como já sabemos.

Nas frases a seguir, indicam-se exemplos de orações coordenadas, que se classificam conforme as palavras que as ligam ou coordenam. Essas palavras são, geralmente, conjunções coordenativas:

a) COPULATIVAS: Manuel não leu hoje nem escreveu. Manuel levantou-se e saiu logo para a caça;

b) ADVERSATIVAS: Dou-te este canivete, mas recomendo-te que não o percas. Aprecio muito a serra, contudo, agrada-me mais o mar;

c) DISJUNTIVAS: Empresta-me o teu livro de Geografia ou o de História. Fico contente, quer me tragas um, quer o outro;

d) CONCLUSIVAS: Estragaste a bicicleta, portanto não andas. Esqueceu o guarda-chuva, por conseguinte, molhou-se;

e) CORRELATIVAS: Qual é o trabalho tal será o proveito. Tanto será o lucro da cultura quanto tiver sido o cuidado. (Assim chamadas por se empregarem na coordenação palavras correlativas, isto é, palavras que estabelecem relação mútua, semelhança no sentido de duas ou mais proposições. Exemplos: tal... qual; tanto... quanto; quer... quer; seja... seja; ora... ora.)

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