Palavra número quatro - BOTA

Fundamentos históricos do Método Global (analítico)
O método global surgiu na história da pedagogia da leitura em 1655, com Comeniuns, esse método apresenta a palavra associada a representação gráfica de seu significado, para que possa ser aprendida como um todo, sem a tortura da soletração enfatizando a importância do interesse da compreensão para a aprendizagem da leitura. Assim, Nicolas Adam apresenta, já no século XVIII, a ideia de ensinar a criança a ler do mesmo modo como aprende a falar. Insiste, ainda em permanecer o maior tempo possível na fase global até a manifestação analítica do trabalho mental pela criança, isto é, até que a própria criança adquira maturidade para iniciar, por si mesma, a fase analítica. A criação do método global, não se trata de um aperfeiçoamento dos métodos anteriores, mas de uma ruptura, pois, até então, o trabalho mental realizado pelo aprendiz era de natureza sintético – analítica, passando a ser de natureza oposta, analítico – sintética. Apesar disso, pode-se perceber uma ligação, uma continuidade na história, quando se analisa a base de cada método. Entretanto foi o médico e professor Ovídio Decroly, o grande teórico e prático do método global. Contudo, o método global puro não foi posto em prática, exceto em casos excepcionais. Desta forma, a grande maioria dos manuais de leitura apresentavam um método “misto”, baseado principalmente na silabação, visto que se encontrava, frequentemente, neles ainda no primeiro dia de aula, a análise da palavra, seguida de exercícios de silabação. Apesar de poucas referencias sobre o método misto, é necessário ressaltar ainda o grande desenvolvimento que obteve no século XX. Caracteriza-se por uma fase inicial, global, com uma passagem rápida e forçada para a análise/síntese, cujo princípio básico é o trabalho simultâneo. Finalmente pode-se considerar que o segundo período da história da aprendizagem da leitura foi caracterizado pela criação de outro método de orientação sintética (fónico e silábico) e de orientação analítica (o global, em suas diversas modalidades). E oscilando entre a análise e a síntese, aparecem ainda os métodos mistos, motivados, provavelmente, pelo desejo de colocar um fim na questão dos métodos analíticos e sintéticos. Deste modo, é conveniente dizer que foi este o período dos métodos por excelência, caracterizado pela disputa entre si, pois durante mais de um século, os defensores dos métodos analíticos mantiveram-se em conflito com os adeptos dos métodos sintéticos.