Visitas de Estudo ou Campo de Férias?

Visitas de Estudo ou Campo de Férias?

A edição do Público de hoje revela que o corte de 5,5% afecta as visitas de estudo.

A crise financeira e a má gestão do dinheiro público dos últimos 30 anos resultaram numa pesada factura que agora precisamos de pagar. Esta afecta todas as áreas, em especial as que "gastam" mais como a Educação.

A educação deve promover um conjunto de experiências multifacetadas. Se não houver dinheiro para grandes passeios acampem no jardim da Escola.

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) afirma que, nos últimos dez anos, o número de visitas de estudo realizadas pelas escolas tem vindo a diminuir. Segundo Joaquim Ribeiro, os cortes na educação determinados pelo Orçamento do Estado para 2011 deverão acentuar ainda mais essa tendência, visto que o transporte escolar dos alunos que pertencem aos escalões mais baixos do Serviço de Acção Social Escolar (SASE) é financiado, parcial ou totalmente, pelas escolas. "Se as escolas dispõem de poucas verbas, é muito difícil organizar visitas de estudo com cerca de 25 alunos que muitas vezes têm poucas posses".

Ainda me lembro, (como poderia esquecer?), de fazer uma visita de estudo a Lisboa, sim provavelmente com apoios da Câmara Municipal de Vila Flor. Esta viagem demorou 2 dias e foi muito boa, se pensarmos que muitos de nós nunca tínhamos visitado uma cidade.

Noutros países como a Suíça as visitas de estudo funcionam na versão "lager" que significa "campo de férias". Funciona assim, os alunos a partir do 5 ano passam todos os anos uma semana de férias num determinado local de interesse, e durante esse tempo, os alunos cozinham, lavam, divertem-se, fazem testes, dão passeios, apenas para só mencionar algumas actividades. Em regra esta semana decorre entre Dezembro e Março.

Em Portugal, depois de medidas bem as diferenças orçamentais, recomendo as iniciativas ao estilo "lager". Por exemplo, porque não dormir nas escolas? De noite claro! Agora que a Parque Escolar tomou conta dos edifícios escolares e fazendo fé que o dinheiro que gastam é bem empregue, não devem faltar as condições... ah já me lembro... não dá. Algumas salas nem dia são quentes quanto mais de noite!