Praxe Académica e Bullying Juvenil

Bullying Infantil e Juvenil e Praxes Académicaspraxe

Já referimos que crianças e jovens que sofrem bullying são mais propícias a serem abusadoras de outras. Uma das situações evidentes são as práticas violentas da Praxe Académica. A Praxe é um processo de integração do "caloiro" estudante do 1.º ano. As práticas de integração têm melhorado e cada vez são mais raras as Praxes violentas.

Mesmo assim é bom relembrar, agora que estamos a chegar às Queimas das Fitas, os casos de Praxes violentas dos últimos anos.

Algumas das práticas violentas são:

  • "Shot". O praxado mastiga uma malagueta, após o que ingere um "shot" de vinagre e azeite.
  • Simulação de actos sexuais. A rapariga caloira simula fazer sexo oral com os "veteranos" ou praticando outros actos com um poste. O rito completo passa por simulação de orgasmos.
  • "Barrelada". Corte de pêlos púbicos (há dois anos, um jovem sofreu ferimentos graves no escroto).
  • "Elefante Pensador". O praxado, de joelhos, deve mergulhar a cabeça num balde cheio de excrementos de porco ou de vaca.

Estas práticas de integração não têm nada, porque como pode um "caloiro" estudar no meio das humilhações semanais e festas de fim de semana?

Mais importante é a aceitação generalizada da intimidação e coação no Ensino Superior e no Ensino Básico e Secundário. Quem frequenta as escolas sabe que existem semelhanças entre algumas práticas violentas da praxe e o "bullying".

Eis um bom exemplo que remonta a 2007, sobre um "caloiro" do 5.º ano do 2.º ciclo:

"Nesta reportagem do DN  um menino de oito anos que usava a expressão "corredor da morte" para designar uma espécie de praxe na sua escola cuja singularidade era prolongar-se por todo o ano lectivo. Com fantasioso exagero e a propensão tão habitual nas crianças para captar palavras e ditos do quotidiano audiovisual, o "corredor da morte" era de facto um corredor formado por duas fileiras de alunos do 2º ciclo que batiam (pontapés, "carolos") nos novatos do 1º ano obrigados a fazer aquele percurso. Quem chorasse teria de passar segunda vez. E todos recebiam ameaças de morte se denunciassem aos pais ou professores as agressões. «Por que fazem isso aos vossos colegas mais novos?» – perguntou a jornalista. Resposta:. «Fizeram-me o mesmo quando vim para a escola.» Resposta idêntica darão os universitários "veteranos" promotores das praxes."

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