Crianças dos países pobres mais dias sem aulas

Crise global provocada pela pandemia afetou com maior incidência o ensino de alunos dos países com menos rendimentos, grande parte deles sem acesso a computadores ou outros dispositivos de educação à distância.

Um levantamento efetuado pelo Banco Mundial e duas agências das Nações Unidas revelou que as crianças de nações com baixos e médios rendimentos ficaram em média quatro meses sem aulas, enquanto nas economias mais desenvolvidas, os alunos ficaram privados do ensino apenas um mês e meio, devido à crise global desencadeada pela pandemia de Covid-19.

Para Robert Jenkis, responsável pelo setor da educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os alunos dos países mais pobres tiveram menos acesso ao ensino à distância, e foram os menos acompanhados na perda de aprendizagem, sendo por isso fundamental dar prioridade à reabertura de escolas e reposição das aulas perdidas para melhorar a situação dos estudantes após a crise da pandemia.

A investigação concluiu também que mais de dois terços dos países analisados já retomaram as aulas presenciais, inteiramente ou parcialmente. E uma em quatro escolas ou perdeu a data de reabertura ou não tem previsão de retomada das aulas. A maioria desses casos, de novo, está nos países pobres.

Em 79 países dos países estudados, quase 40 por cento das nações de baixos e médios rendimentos registaram quedas ou esperam reduções no orçamento nacional de educação para este ano fiscal ou o próximo. Por outro lado, em metade dos países mais pobres verificou-se a falta de recursos para medidas de segurança como locais e material para lavagem de mãos, distanciamento social e equipamentos de proteção para alunos e professores.

Salientando as desigualdades no ensino entre países ricos e pobres, que já existiam antes da pandemia, o diretor do Banco Mundial para Educação, Jaime Saavedra, considerou ser a hora de reverter as perdas e evitar as consequências dessas desigualdades para os estudantes.



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