Geração Básica. Estamos a perder as nossas capacidades cognitivas devido ao consumo da internet?

Geração Básica. Estamos a perder as nossas capacidades cognitivas devido ao consumo da internet?

Já todos sabemos as vantagens da internet, mas raramente falamos das desvantagens.

Vamos reflectir sobre as consequências do abuso da internet no nosso cérebro:

Ler textos com muitos "links" ativos dificulta mais a compreensão do que ler textos lineares, isto porque temos a tendência para abrir os links antes de ler o texto completo. Tal acontece também com os livros que têm as indicações "ler mais", mas ao contrário da leitura do livro que se espera ser profunda, a leitura na internet é passageira, e o utilizador/leitor tende a circular de "link" em "link" buscando mais informação sem ter completado a leitura do texto original.

Outro aspecto negativo relaciona-se com as pequenas distracções como, emails, mensagens de redes sociais, que diminuem a nossa capacidade de nos concentrarmos na leitura de um texto único. 

Quando lemos vários textos em quase simultâneo também prejudicamos a compreensão, isto acontece a quem tem o estilo cibernauta de ler vários documentos. A distracção impede o cérebro de se expandir e criar novas ligações neuronais. Já não precisamos de uma memória profunda, porque recorremos a cada dúvida ao Google, não forçamos o nosso cérebro à recapitulação do conhecimento, o que a longo prazo provoca problemas de retenção de informação e promove comportamentos mais superfíciais e autómatos.

Pedro Oliveira da revista Exame Informática coloca esta pergunta: como será com a nova geração que proventura não irá ler livros da forma completa e tradicional?

Neste momento quem recorre mais ao "Kindle", aparelhos de leitura de documentos eletrónicos, são leitores acostumados com a leitura tradicional, que respeitam a lineariedade da língua. Quando a nova geração de leitores chegar à fase adulta muitos não terão ainda lido um livro completo, apenas terão lido resumos e comentários através de artigos escritos em websites, tal como este que aqui estou a escrever.

Há um estudo feito em Portugal por uma equipa do IST e da Universidade de Carnegie Mellon que analisou os resultados em mais de 900 escolas entre 2005 e 2009 e registou as classificações dos alunos no 9º ano de escolaridade. O estudo revela que o uso da Internet na escola não provocou melhorias nos resultados. Fonte deste parágrafo: profblog

Transcrição do artigo da EXAME INFORMÁTICA
A questão não é pacífica. Cientistas, filósofos, neurologistas, investigadores ...todos estão preocupados com aquilo que a Internet possa estar a fazer aos nossos cérebros. Nomeadamente, às cabecinhas pensantes das gerações mais novas. Estudos recentes mostram que a Internet está  tornar-nos em pensadores básicos, superficiais.

Uma das conclusões já provadas é que quem lê textos cheios de links ativas compreende menos, do que os que leem textos lineares. Mais um exemplo: pessoas que estão permanentemente a ser distraídas com e-mails, estados de redes sociais, alertas e outros tipos de mensagens ...têm uma menor capacidade de compreensão dos que têm a capacidade de se concentrar numa tarefa sem ter distrações exteriores. O mesmo se aplica em quem faz muitas coisas ao mesmo tempo, comportamento tipico do cibernauta. Estes são menos produtivos e eficazes do que os que se focam em fazer uma tarefa de cada vez. Por isso, impõe-se a questão: a Internet está a tornar-nos pessoas mais superficiais?

Estamos a ficar mais estúpidos por navegar na Web? Ou, pelo contrário, toda esta capacidade de multitarefa está a expandir as capacidades do nosso cérebro e a levar-nos para um nova fase de desenvolvimento humano? Para o neurocientista e Prémio Nobel, Eric Kandel, "só quando prestamos muita atenção a uma nova quantidade de informação, conseguimos associá-la com significado e sistematicamente a conhecimento já armazenado na nossa memória". Este tipo de associações são fulcrais para conseguirmos dominar conceitos mais complexos. Ora o que acontece na Internet é precisamente o contrário.

Estamos permanentemente a ser distraídos, o que impede o cérebro de expandir e criar novas ligações neurais. E são estas que dão ao nosso cérebro a capacidade de pensar de forma mais distinta e, claro, profunda. Assim, pelo contrário, estamos a pensar de forma mais automática e menos rigorosa. Numa experiência realizada nos Estados Unidos, foi dividida ao meio uma audiência de alunos que assistia a uma apresentação.

A uns foi permitido ter o computador ligado e navegar na Web. A outros não. Num teste efetuado depois, os alunos que estiveram sem computador tiveram melhores resultados do que os restantes. No entanto, nem tudo é negativo. Já está provado que as multitarefas e, por exemplo, os jogos de computador estão a contribuir para melhorar a nossa inteligência espacial e visual.

Algo que é fundamental para desempenhar funções que impliquem estar a atento a múltiplos sinais em simultâneo. Por exemplo, um controlador aéreo. No meu caso pessoal, ainda sou de uma geração que cresceu com um misto de "meios tradicionais" e com a Internet. Mas confesso que é cada vez mais complicado conseguir focar-me numa só tarefa e reter dados. Um preço a pagar por passar tanto tempo na Internet. Mas não sinto que tenha menor capacidade para refletir ou de pensamento crítico.

Mas não sei como será com pessoas mais novas que nunca leram um livro completo e só conhecem a multitarefa da web. Se está interessado neste tema aconselho a leitura do livro de Nicholas Carr, The Shallows. Encontra-o aqui: http://www.theshallowsbook.com